LEPTOSPIROSE COMO DOENÇA NEGLIGENCIADA NO BRASIL: DESAFIOS DA VULNERABILIDADE SOCIAL PARA A GESTÃO DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
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Introdução: A leptospirose persiste como uma Doença Tropical Negligenciada (DTN) no Brasil, mantendo-se vinculada à vulnerabilidade socioespacial, ao déficit de saneamento e à emergência climática, o que impõe expressivo fardo operacional e financeiro ao Sistema Único de Saúde (SUS). Objetivo: Analisar o impacto dos fatores de vulnerabilidade social e ambiental na persistência da leptospirose no Brasil, discutindo os desafios impostos à gestão do SUS sob a perspectiva da Saúde Única (One Health). Metodologia: Revisão integrativa da literatura realizada nas bases PubMed, Scopus, Web of Science, SciELO, LILACS, BMC Public Health, bioRxiv e medRxiv, abrangendo publicações entre 2022 e 2026. A amostra final foi composta por 25 estudos devidamente selecionados por critérios de elegibilidade. Resultados e Discussão: A doença apresenta distribuição espacial heterogênea, acometendo desproporcionalmente homens em idade produtiva e populações periféricas e rurais desassistidas. Ausência de saneamento básico, impermeabilização do solo e desmatamento atuam como catalisadores ecológicos e urbanos para a proliferação do vetor. Ademais, extremos hidrológicos (secas e inundações catastróficas, como as ocorridas no Sul do Brasil em 2024) deflagram surtos maciços, exigindo respostas rápidas do SUS. A elevada soroprevalência em grupos hipervulneráveis (como pessoas em situação de rua e cães de companhia) reforça a necessidade de abordagens integradas. Conclusão: A superação da negligência da leptospirose exige superar a atuação assistencial reativa por meio de intervenções estruturantes em habitação e saneamento, aliadas à consolidação de políticas públicas intersetoriais de Saúde Única pautadas na equidade.