ALTERAÇÕES AMBIENTAIS NA BACIA DO RIO ARAGUARI E SUA CONECTIVIDADE COM O RIO AMAZONAS E OS SISTEMAS COSTEIRO-ESTUARINOS
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Nas últimas quatro décadas, os sistemas fluviais amazônicos, sobretudo no Amapá, têm passado por transformações hidrogeomorfológicas decorrentes da interação entre processos naturais hiperdinâmicos e intensificação antrópica. Esta revisão sistematiza o conhecimento científico sobre tais mudanças, considerando a influência de macromarés, eventos hidroclimáticos extremos, dinâmica sedimentar costeira, alterações na conectividade hidrológica, implantação de infraestruturas hidráulicas e mudanças no uso e ocupação do solo sobre os ecossistemas naturais. A literatura evidencia alterações significativas nos padrões hidrodinâmicos e hidrossedimentares, refletidas em variações de salinidade, concentração de sólidos suspensos e indicadores de qualidade da água, associadas a mudanças na estrutura das comunidades aquáticas, na produtividade primária e em componentes da biodiversidade, com impactos socioambientais. Os resultados indicam que a atuação simultânea de múltiplas forçantes naturais e antrópicas desencadeia mecanismos de retroalimentação, acelerando a reorganização da paisagem fluvial e estuarina, e caracterizando esses ambientes como sistemas hidrogeomorfológicos hiperdinâmicos, marcados por elevada variabilidade espaço-temporal e resposta rápida a perturbações. Conclui-se que a hidrogeomorfologia é fundamental para compreender a reorganização da paisagem e seus efeitos sobre a dinâmica hidrossedimentar e a qualidade da água no estuário do baixo Amazonas, fornecendo bases científicas para o monitoramento, a gestão de recursos hídricos e a conservação da biodiversidade aquática regional.