PRODUÇÃO E CARACTERIZAÇÃO FITOQUÍMICA DE EXTRATOS ORGÂNICOS DE ANNONA CRASSIFLORA
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A Annona crassiflora, também conhecida por araticum, uma árvore da família Annonaceae típica do Cerrado, é rica em metabólitos secundários como alcaloides (ex: anonaína) e flavonoides glicosídicos (derivados de kaempferol e quercetina). Esses compostos são reconhecidos na literatura por suas propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, antimicrobianas, anti-hipertensivas e hepatoprotetoras. Este estudo objetivou a extração e caracterização desses compostos. Para isso as folhas do araticum foram coletadas e depositadas no herbário Prisco Bezerra da Universidade Federal do Ceará, além de serem devidamente registradas no SisGen sob numeração A92E078. Após foi realizada a secagem a 50 °C e trituração, 100 g da amostra passaram por percolação sequencial com solventes orgânicos em ordem crescente de polaridade: Hexano, Clorofórmio, Acetato de Etila, Acetona e Etanol 70%. Esse gradiente permitiu separar desde frações lipofílicas até as mais hidrofílicas, sendo os extratos obtidos via evaporação rotativa. Em seguida foram realizadas as caracterizações fitoquímicas, por meio de testes colorimétricos semiquantitativos, para identificar quais metabólitos estão presentes em cada fração. A detecção de açúcares redutores ocorreu pelo uso do reagente de Benedict sob aquecimento, onde a mudança para tons verde/vermelho-tijolo indica a positividade. Para flavonoides, aplicou-se HCl e fita de magnésio, gerando uma coloração avermelhada na identificação do composto. A presença de taninos foi verificada pela adição de FeCl3 a 2%, resultando em coloração azul/esverdeada. Já para esteroides e triterpenos, aplicou-se anidrido acético e H2SO4 produzindo tons azul-esverdeados/avermelhados. Por fim, a identificação de alcaloides foi confirmada pelo Reagente de Dragendorff, evidenciada pela formação de um precipitado alaranjado. As folhas apresentaram massa inicial de 520 g, que se reduziu para 184 g após secagem e moagem, o que representa uma perda de 64,6% da massa. Foram obtidos os seguintes rendimentos dos extratos: 1,70% para o hexânico (1,69 g), 3,70% para clorofórmico (3,68 g), 0,82% para o extrato do acetato de etila (0,82 g), 2,46% para o acetônico (2,46 g) e 6,21% para o etanólico de 70% (6,20 g), sendo este o maior rendimento obtido. A triagem fitoquímica indicou a presença de metabólitos secundários, como flavonoides e alcalóides, mais recorrentes nas frações de acetona e etanol 70%. Os açúcares redutores foram observados nas frações mais polares, enquanto os esteroides nas frações menos polares. Sugerindo assim uma maior concentração de compostos bioativos nas frações polares, reforçando o potencial químico da Annona crassiflora, assim como a Annona squamosa L., que é comumente utilizada no tratamento de furúnculos; ou a Annona dioica L. que pode ser aplicado no tratamento de diarreias. Dessa forma, pode-se considerar que as folhas da Annona crassiflora podem ser utilizadas como uma fonte de insumo para a indústria farmacêutica por sua riqueza fitoquímica.
Ce résumé expose les affirmations des auteurs. BNTIC ne l’interprète pas comme une validation indépendante des résultats.