Hanseníase: Desafios Contemporâneos no Diagnóstico, Manejo Clínico e Controle da Transmissão
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Introdução: A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, com predileção pela pele e pelos nervos periféricos, podendo ocasionar incapacidades físicas permanentes quando o diagnóstico e o tratamento são tardios. Apesar da disponibilidade de terapias eficazes, a doença permanece como importante problema de saúde pública em países endêmicos, incluindo o Brasil. O diagnóstico precoce, a interrupção da cadeia de transmissão e a prevenção de incapacidades constituem os principais desafios para os serviços de saúde, exigindo estratégias integradas de vigilância, assistência e educação em saúde. Objetivo: Revisar os principais desafios atuais relacionados ao diagnóstico, manejo clínico e controle da transmissão da hanseníase, com base nas evidências científicas disponíveis. Metodologia: Realizou-se revisão narrativa da literatura por meio de pesquisas nas bases de dados PubMed, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Foram selecionados artigos científicos, revisões sistemáticas e diretrizes de sociedades médicas e órgãos de saúde reconhecidos, priorizando estudos sobre diagnóstico, tratamento, vigilância epidemiológica e estratégias de controle da hanseníase. Discussão/Resultados: O diagnóstico da hanseníase permanece essencialmente clínico, fundamentado na identificação de lesões cutâneas com alteração de sensibilidade e comprometimento de nervos periféricos, sendo complementado por exames laboratoriais em situações específicas. A poliquimioterapia continua sendo o tratamento de escolha, apresentando elevada eficácia na cura e redução da transmissibilidade quando iniciada precocemente. Entretanto, o diagnóstico tardio, o estigma social, as reações hansênicas e as incapacidades físicas representam importantes obstáculos ao controle da doença. O acompanhamento multidisciplinar, a avaliação neurológica periódica, o rastreamento de contatos domiciliares e as ações de educação em saúde são medidas fundamentais para reduzir complicações e interromper a transmissão. Além disso, o fortalecimento da atenção primária contribui para ampliar o diagnóstico precoce e melhorar os desfechos clínicos. Conclusão: A hanseníase permanece como desafio relevante para a saúde pública, exigindo diagnóstico oportuno, tratamento adequado e vigilância contínua. A integração entre assistência, educação em saúde e controle epidemiológico é indispensável para reduzir a transmissão, prevenir incapacidades e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.