Entre cercas e noticiários: uma lente da sociologia rural sobre as notícias mais bem ranqueadas de conflito agrário em Rondônia
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Este artigo propõe uma análise sociológica da cobertura jornalística digital acerca dos conflitos agrários em Rondônia, a partir da leitura crítica das 30 matérias mais bem ranqueadas pelo mecanismo de busca Google, selecionadas com base nas palavras-chave “conflito”, “agrário” e “Rondônia”. Fundamentada em abordagem qualitativa e inspirada no método hermenêutico-dialético, a pesquisa organizou as matérias em cinco blocos temáticos, com trechos transformados em figuras analíticas. A partir dessas evidências empíricas, foi realizada uma interlocução com autores clássicos e contemporâneos da Sociologia Rural, além de estudos recentes sobre violência fundiária, criminalização dos movimentos sociais e omissão estatal. Os resultados indicam que os conflitos agrários em Rondônia são expressão de uma estrutura fundiária excludente, marcada pela ausência de políticas públicas efetivas e pela atuação seletiva de agentes estatais. As matérias, majoritariamente, constroem narrativas que silenciam sujeitos camponeses e naturalizam ações repressivas, ao passo que movimentos como a LCP e o MST são estigmatizados e associados à ilegalidade. A análise revela ainda que operações policiais e decisões judiciais reproduzem padrões de criminalização e reforçam dinâmicas de desterritorialização. Conclui-se que a cobertura midiática é parte constitutiva dos conflitos, exigindo reconfiguração crítica quanto ao seu papel político-pedagógico. A Sociologia Rural, nesse contexto, se reafirma como ferramenta de interpretação e transformação social, comprometida com os direitos territoriais e a justiça agrária.