Os Papéis Complementares da Fotorrefração e da Referenciação Clínica na Deteção de Fatores de Risco para a Ambliopia
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INTRODUÇÃO: As principais organizações de saúde recomendam o rastreio visual pelo menos uma vez entre os 3 e os 5 anos de idade. Em Portugal, para além do rastreio clínico, o programa Rastreio de Saúde Visual Infantil (RSVI) realiza um fotorrastreio aos 2 e 4 anos. O objetivo do estudo foi comparar as características demográficas e clínicas de crianças (2-5 anos) referenciadas para um serviço de oftalmologia terciário através do programa de rastreio RSVI versus referenciação clínica padrão, e avaliar o desempenho diagnóstico de diferentes modelos para a deteção de ambliopia e dos seus fatores de risco. MÉTODOS: Estudo observacional e transversal com 541 crianças divididas em dois grupos: Grupo de Referenciação por Rastreio (SRG, n=338), referenciado pelo RSVI; e Grupo de Referenciação Padrão (STG, n=203), referenciado por pediatras ou médicos de família. Foram comparados dados demográficos, clínicos e refrativos. A performance de modelos de rastreio que combinam fotorrastreio (critérios RSVI e AAPOS 2021), acuidade visual não corrigida (AVNC) e estereopsia foi avaliada com análise ROC. RESULTADOS: O grupo SRG era mais novo (p<0,001) e apresentou maior prevalência de erros refrativos hipermetrópicos (85,5% vs 54,2%), maior equivalente esférico e maior anisometropia (p<0,001). O grupo STG apresentou uma prevalência superior de estrabismo (19,2% vs 1,8%, p<0,001). A taxa global de ambliopia foi semelhante (6,5% vs 6,7%), sendo predominantemente refrativa no SRG e estrábica/mista no STG. Um modelo que combina os critérios de fotorrastreio da AAPOS com AVNC e estereopsia demonstrou a maior precisão diagnóstica para ambliopia (AUC 0,932). A combinação dos critérios RSVI com AVNC e estereopsia foi superior ao RSVI isoladamente para a deteção de ambliopia, estrabismo ou necessidade de óculos (AUC 0,913 vs 0,760). CONCLUSÃO: O fotorrastreio e a referenciação clínica são vias complementares que identificam populações de doentes distintas. O fotorrastreio é eficaz a detetar erros refrativos ambliogénicos em crianças mais novas, enquanto a suspeita clínica é crucial para identificar estrabismo. Estratégias de rastreio multimodais podem melhorar a eficácia do programa.
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