Pensar Sifiliticamente: relato de caso
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Introdução: A sífilis, uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum, representa um desafio diagnóstico por sua natureza polimórfica e sistêmica. Conhecida desde o século XV, a doença continua relevante em todas as especialidades médicas, dada a sua capacidade de mimetizar outras condições clínicas. No Brasil, a sífilis é uma doença de notificação compulsória desde 1986, refletindo a importância do seu controle e monitoramento. A apresentação clínica da sífilis varia conforme o estágio da infecção, que pode ser recente (primária, secundária e latente recente) ou tardia (latente tardia e terciária), o que orienta o tratamento adequado e o acompanhamento. Sua alta prevalência no país exige dos profissionais de saúde que estejam aptos a realizar o diagnóstico preciso, combinando dados clínicos, histórico de infecções e exposições recentes, além dos resultados de testes laboratoriais. Objetivo: Descrever um caso de sífilis com diagnóstico inicialmente inconclusivo, ressaltando a importância da investigação clínica e laboratorial ampliada em pacientes com lesões genitais. Relato de caso: Paciente masculino de 25 anos, bissexual, com início da atividade sexual aos 16 anos, buscou atendimento por queixa de ferida na região genital com início em 29/10/2022. Referiu relação sexual desprotegida 16 dias antes do aparecimento da lesão. Foi atendido em uma Unidade Básica de Saúde, onde ele e seu parceiro realizaram testes rápidos, com resultados não reagentes. Solicitaram o teste laboratorial de doenças venéreas (VDRL), que também apresentou resultado não reagente, e o teste de anticorpos treponêmicos fluorescentes por absorção (FTA-Abs) IgG, que foi reagente, e o FTA-Abs IgM, que apresentou índice de 1,40. O paciente foi liberado sem tratamento. Após 34 dias de evolução da lesão, ele compareceu ao setor de IST em Foz do Iguaçu, relatando que a lesão genital persistia e aparentava ter aumentado. Ao exame físico, o paciente apresentava uma lesão ulcerada, de fundo limpo, bordas elevadas e avermelhadas, indolor e sem linfadenopatia inguinal — que não exclui o diagnóstico de sífilis primária. Um novo teste rápido para sífilis foi realizado, apresentando resultado levemente positivo, com VDRL de 1/16. Adicionalmente, foi realizado um painel de IST, que detectou a presença de herpes simples (HSV)-1 e Treponema pallidum — o que demonstra a importância da investigação abrangente de ISTs em pacientes com lesões genitais. O paciente foi tratado com penicilina G benzatina, 1,2 milhões UI, duas ampolas — padrão-ouro para o tratamento da sífilis, eficaz em todos os estágios da doença. O paciente e seu parceiro foram orientados sobre métodos comportamentais para prevenção de ISTs, e a importância do rastreamento regular. Foi agendado retorno para reavaliação em 15 dias e solicitados exames de VDRL com 30 e 90 dias de seguimento para ambos. Conclusão: Este relato de caso destaca a importância da alta suspeição para sífilis. “Pensar sifiliticamente” significa considerar a sífilis no diagnóstico diferencial, dada a sua ampla gama de manifestações clínicas, que podem mimetizar diversas outras condições. A apresentação inicial do paciente, com um teste rápido e VDRL não reagente, demonstra a necessidade de considerar a sífilis mesmo diante de resultados laboratoriais inconclusivos. A detecção precoce e o tratamento adequado são essenciais para interromper a transmissão. O acompanhamento rigoroso do paciente e de suas parcerias sexuais é fundamental para garantir o sucesso do tratamento.
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Le contrôle bibliographique ouvert
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- Titre Crossref
- Pensar Sifiliticamente: relato de caso
- Date Crossref
- 01/01/2025
- Éditeur
- Zeppelini Editorial e Comunicação
- Type
- proceedings-article
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