Vírus da imunodeficiência humana no Tribunal: o teatro como palco de debate sobre leis, saúde sexual e reprodutiva e direitos, com o público como jurados
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Introdução: O Barong, fundado em 1996, foi a primeira Organização Não Governamental no Brasil a atuar extramuros com unidade móvel. Em seus projetos, a comunicação entre pares e a linguagem teatral sempre tiveram destaque. Em 2018, estreou uma peça no formato de julgamento sobre a revelação da sorologia, mas o projeto foi suspenso em razão da pandemia de COVID-19, e foi retomado em 2024. Objetivo: Debater a criminalização do vírus da imunodeficiência humana (HIV) e legislações correlatas, além de reforçar conhecimentos sobre prevenção, tratamento, indetectável=intransmissível (I=I), estigma e questões de gênero, de forma lúdica. Métodos: Os personagens Bráulio e Eva se conhecem em uma balada e iniciam um relacionamento. Durante dois anos, se relacionam sem o uso de qualquer método de prevenção. Com a pandemia de COVID-19, Bráulio enfrenta dificuldades financeiras para se sustentar na capital e decide retornar para a casa de parentes no interior. Sentindo-se humilhado por precisar voltar e em uma posição social inferior à de Eva, Bráulio, já isolado pelo lockdown, parte sem se despedir. Eva recebe um autoteste de HIV e testa positivo. Embora inicie o tratamento, decide abrir um processo judicial contra Bráulio, acusando-o de transmitir o vírus intencionalmente. Bráulio, por sua vez, alega desconhecer sua condição sorológica na época. Quando Eva começa a invadir suas redes sociais, Bráulio teme que ela revele publicamente sua sorologia. O julgamento se desenrola com diversas reviravoltas e tem, como diferencial, a participação ativa do público, que assume o papel de júri. As testemunhas são interpretadas por ativistas e pessoas vivendo com HIV. Inserções audiovisuais com profissionais de saúde esclarecem questões sobre o HIV, a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). A atriz que interpreta a advogada de defesa e acusação representa a pluralidade do debate. A vítima, por sua vez, é questionada por ter invadido a privacidade de Bráulio, e passa a ser ré. Assim, informações sobre profilaxia pré-exposição (PrEP), profilaxia pós-exposição (PEP), tratamento e I=I são transmitidas. As vulnerabilidades sociais, programáticas e individuais funcionam como pano de fundo para os debates entre os personagens. Resultados: A estreia no anfiteatro do Hospital Emílio Ribas atraiu um público diverso e gerou grande impacto. O sucesso resultou em convites de diversas instituições, ampliando o debate sobre HIV, estigma e direitos, em um espaço de reflexão crítica. Conclusão: O formato teatral demonstrou grande potencial; a abordagem lúdica e participativa se revelou eficaz na disseminação de informações sobre infecções sexualmente transmissíveis. O apagamento da discussão sobre HIV evidencia a urgência de investir em estratégias que tornem a prevenção tangível e integrada ao cotidiano. É essencial “desenhar a prevenção” de forma clara e acessível, utilizando abordagens interativas e inclusivas que rompam barreiras de estigma e desinformação, garantindo que o acesso ao conhecimento, diagnóstico e tratamento chegue a todos os públicos.
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Le contrôle bibliographique ouvert
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- Titre Crossref
- Vírus da imunodeficiência humana no Tribunal: o teatro como palco de debate sobre leis, saúde sexual e reprodutiva e direitos, com o público como jurados
- Date Crossref
- 01/01/2025
- Éditeur
- Zeppelini Editorial e Comunicação
- Type
- proceedings-article
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